Admiratio: o princípio do maravilhamento no Evangelho de Marcos à luz da filosofia de Josef Pieper
DOI:
https://doi.org/10.71201/3085-6280.%25p.2026Palavras-chave:
Evangelho de Marcos. , Admiratio. , Contemplação, Josef PieperResumo
Este artigo propõe uma leitura do Evangelho segundo Marcos a partir da categoria do maravilhamento (admiratio), entendida como uma disposição teológica e espiritual essencial à experiência cristã. A narrativa de Marcos é marcada por episódios de espanto diante da figura de Jesus, cuja autoridade e gestos provocam assombro em discípulos, multidões e adversários. O maravilhamento, longe de ser um recurso narrativo acessório, é apresentado como via de acesso à fé. A análise se ancora em tradições filosóficas e teológicas — de Platão e Aristóteles a Agostinho, Tomás de Aquino e Josef Pieper — que concebem a admiração como origem do saber e princípio da sabedoria. Em especial, Pieper destaca o maravilhamento como postura contemplativa e abertura ao mistério, contrapondo-se à lógica moderna da produtividade. Nesse sentido, o Evangelho de Marcos não busca explicar o mistério de Cristo, mas provocar no leitor uma experiência de assombro que o disponha à fé. O texto conclui que a admiratio é mais que um afeto passageiro: é uma estrutura existencial que sustenta o olhar e inaugura o caminho da sabedoria.
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Referências
AGOSTINHO. Confissões. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003.
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